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Zé Cabunda havia acabado de
estacionar o seu carro importado e ia abrindo a porta quando foi abordado pelo
Tiriceira, esse, queria conseguir um trabalho na bocada e precisava para isso
do aval do Zé Cabunda, antigo caixa da lojinha, iniciou sua caminhada dentro do
crime ainda jovem, quando se interessou pelos produtos que eram ostentados
pelas classes mais abastadas e não conseguia condições dignas para isso, logo,
o crime o recebeu de braços abertos. Tiriceira,
amigo de infância desse monstro, procurou nele a solução para tantas
humilhações de que vinha sendo alvo já há um bom tempo. Procurava emprego já
desde o ano anterior, enviava currículos e nos que recebia retorno já na
entrevista era descartado, não sabia ao certo o porquê, apenas levantava a
cabeça e seguia na procura de outras vagas. Assim que é. Assim que está sendo.
Sua família, companheira e três filhas precisam dele ao máximo. Por elas, luta
incansavelmente sem tempo de pensar em desistir. O tempo avança, uma das filhas
doente, trabalho de servente de pedreiro ganha um pouco que sequer dá para os
remédios, sua companheira junto com a sogra bancam a casa e as despesas, sua
posição dentro de casa, está em buscar um trabalho até encontrar. Trabalhar de
gari não tem como eles pedem para fazer uma prova, sem estudo, não sente que
passará. Ao iniciar o diálogo com seu amigo de escola já é interrompido com
pedidos de desculpas, o criminoso, pede para que o entenda, e veja o lado dele
além do seu próprio problema. Assim que ele percebeu que nas biqueiras onde ele
contratava negros para trabalhar eram as que mais tinham gastos com acertos, os
arregos, para ele é o mesmo que trabalhar para o inimigo. Desde então, não usa
mais essas mãos de obras por estarem muito visadas e por esse motivo não pode
colocá-lo na boca. Tiriceira, balança a cabeça em um gesto afirmativo e volta
para casa, antes, passa no vizinho e pega um dinheiro emprestado para ir até o
centro tentar encontrar. Três dias depois a polícia matou o Zé Cabunda.
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