FALSO
Funk ostentação, a febre do momento. A
onda agora é alardear ter uma coisa que não se têm. No fundo, é quão
intensamente uma brincadeira de criança como aquelas de esconde e esconde, ou
de imaginar que se é alguma coisa, só, que trazidas para a realidade e
vivenciadas com rigor e seriedade, mesmo que seja uma completa idiotice, o
importante é gozar independente do cancro mole ou da crista de galo. Meus parceiros, foram dar um pião em um pico
desses. As mulheres, aliás, nossas irmãs, desceram ali até o nível de serem meros
depósitos de porra, como bonecas infláveis, expostas para serem penetradas no pelo
por quem quiser empurrar até o saco. E a orgia esquenta. A maioria metendo. O
som ensurdecedor que não dá sequer para ouvir o que o parceiro do lado está
falando em seu ouvido. O cheiro quente de sexo domina todo o espaço misturado
com a fumaça e as luzes pirotécnicas. A dupla, se vê na situação sem destaque
algum, miram-se, e com um aceno, chamam a atenção de um garçom, ele se
aproxima, elegantemente vestido, educado. Pedem uma garrafa de whisky,
brevemente ela já estava em cima da mesa, energéticos a acompanham, seus
bolsos, cheios de notas falsas, e a noite é uma criança. Aos poucos, as
interesseiras se aproximam, uma a uma, risadas sem sentido e brincadeirinhas
estúpidas, mulheres vazias e sem assunto. Desejavam beber as custas de algum
pica do bagulho. E viram neste dois
picaretas essa possibilidade. A mesa se encheu, não satisfeito um deles,
colocou a mão no bolso sacando a pacoteira de notas falsas e, pegando uma nota
ateou fogo e com ela acendeu o seu cigarro. A nota de cem reais. A maioria que
viu a cena parara extasiados, mais para frente, a situação virou bagunça,
começou a jogar as notas para o piso inferior de onde estavam, e lá embaixo, se
via as pessoas uma se jogando por cima da outra, alguns brigando, outros se
empurrando, o tumulto intenso, a questão que vêm na mente é a seguinte: E
quando perceberem que eram notas falsas?
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